Lifewide Learners: muito além do hype
Por que o lifelong e o lifewide learning são mais importantes do que nunca?
Quando lancei meu primeiro livro, comecei a escrever mensalmente essa newsletter sobre aprendizado ao longo da vida. O nome – Lifelong Learners – era uma referência direta à obra.
Agora, já na fase final do próximo livro, resolvi retomar a news com uma novidade: rebatiza-lá de Lifewide Learners. A mudança de nome é um semi-spoiler do que vem por aí. Espero que vocês gostem.
O lifelong learning virou só um termo da moda?
Tenho visto algumas pessoas considerando o lifelong learning uma buzzword, um conceito passageiro já gasto e obsoleto. Na minha visão, isso não poderia estar mais longe da realidade.
Estamos falando de um movimento global que se consolidou ao longo de mais de meio século e que continua a evoluir, com impacto não só dentro das organizações, mas fora.
Vale lembrar que o lifelong learning nasceu como lifelong education. A mudança de nomenclatura ocorreu para destacar quem deveria conduzir o processo: o aprendiz, e não os educadores (ainda que tenham um papel fundamental). Daí, aliás, minha preferência pela expressão aprendizagem corporativa.
Hoje, o lifelong learning é um dos instrumentos mais relevantes para atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 da ONU: assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Os projetos que envolvem esse tema vão muito além do desenvolvimento de competências para o ambiente corporativo. Basta pensar, por exemplo, em iniciativas como a Rede Global de Learning Cities da UNESCO.
O movimento do lifelong learning não tem como propósito principal apenas melhorar nossas perspectivas profissionais ou aumentar a produtividade das empresas. Ele também faz isso, mas seu objetivo é muito maior: tornar o mundo um lugar melhor para todas as pessoas.
Na minha trajetória, optei por ajudar empresas a fazerem sua parte nesse movimento, repensando a forma como as práticas de T&D ocorrem nas organizações. Trabalho para incentivar a transição da heterodireção para a autodireção e da abordagem estritamente formal para a inclusão de diversas formas de aprendizado informal. Por sorte, encontrei clientes e parceiros que acreditam nessa transformação. Não é um processo fácil, mas é extremamente necessário.
Quando fiz meu doutorado e escrevi um livro sobre esse tema, minha intenção era dialogar diretamente com indivíduos que buscavam repensar sua relação com o aprendizado. Hoje, estamos perto de 40 mil exemplares vendidos. Tenho muito orgulho desse resultado, mas o que me emociona e me motiva são as dezenas de mensagens que recebo compartilhando como o livro impactou a vida de quem o leu.
Para mim, sempre foi essencial ter esse contato direto com aprendizes adultos — sejam eles do mundo corporativo ou não. E acredito que estou conseguindo isso.
Estamos apenas no começo. Nos últimos 18 meses, venho pesquisando e escrevendo sobre o conceito de lifewide learning, que abrange todas as experiências e contextos em que aprendemos ao longo da vida. Esse novo enfoque busca explorar como o aprendizado se dá de maneira fluida e conecta às nossas experiências mais corriqueiras e imprevisíveis.
E, por falar em lifewide learning…
Meu novo livro, que aprofunda as reflexões do Lifelong Learners, nasce de uma inquietação: por que continuamos tão aprisionados a modelos formais de aprendizagem? Estamos constantemente aprendendo, mesmo (e especialmente) quando não percebemos.
A jardineira que intuitivamente compreende os ciclos das plantas. O viajante que absorve novas perspectivas culturais. O pai que aprende a negociar com uma criança de dois anos. Todos são aprendizes em contextos que raramente associamos a uma aprendizagem “séria” ou “útil”.
Minha obra convida a uma expansão de consciência sobre nossos territórios de aprendizado. Proponho ferramentas práticas para mapear, reconhecer e potencializar essas experiências cotidianas – para transformá-las em alavancas de desenvolvimento pessoal e profissional.
É um convite à curiosidade deliberada e à exploração intencional dos diversos territórios da vida como fontes legítimas de aprendizado.
Festival CTRL > CLTR 2025
Na 5ª edição do Festival Internacional de Cultura de Aprendizagem, farei uma palestra totalmente dedicada a essa discussão. Como ampliar nossos horizontes de aprendizado, aproveitando as experiências diárias como ferramentas de desenvolvimento pessoal e profissional?
Esse painel será também uma prévia do meu novo livro, trazendo uma nova perspectiva sobre o futuro da aprendizagem – mais ampla e conectada à vida.
CEP+R
→ Conteúdo
Dicas de conteúdos, ferramentas e maneiras interessantes de integrar novos conhecimentos aos seus.
Em Criaway, Edu Valladares desmistifica a arte de aprender no século 21. O autor desvenda os bastidores da aprendabilidade, aquela capacidade quase mágica de se reinventar continuamente, a partir de mapa estratégico que revela como indivíduos e organizações podem desenvolver uma mentalidade verdadeiramente adaptável. Casos reais de inovação são destrinchados, mostrando que aprender não é um talento nato, mas uma habilidade que pode ser treinada, refinada e potencializada.
→ Experiência
Caminhos interessantes para ganhar repertório e praticar o seu aprendizado.
A UNESCO propõe transformar cidades em ecossistemas de aprendizagem. O conceito de lifewide learning cities convida cidadãos a descobrirem espaços de desenvolvimento em seu próprio território urbano: bibliotecas, museus, centros culturais e eventos comunitários se tornam laboratórios.
O desafio? Mapear, reconhecer e interagir com os espaços de aprendizagem próximos a você.
→ Pessoas + Redes
Como aprender e ampliar sua visão de mundo a partir de outros olhares.
Especialista em conectar universos aparentemente desconexos, Ida Benedetto traduz insights de diferentes campos em experiências que engajam, conectam e transformam. Com clientes como Google e Starbucks, ela usa design de jogos, antropologia e psicologia para desvendar padrões ocultos de aprendizagem e criar momentos de descoberta genuína.
Ah, e ela vai estar no Festival CTRL > CLTR 2025. Ainda não se inscreveu? Ainda dá tempo.




